16/04/2004 15:15
OÁSIS DE DEUS
Olha,
eu queria mudar a tua face
molhar teus olhos
rasgar teu sorriso restrito
dinamizar teus gestos recolhidos.
Eu te fiz para ser a minha fonte no deserto
de onde tiraria água doce e fresca,
para quantos passassem por ti de odres vazios.
Eu plantei em ti mananciais imensos,
mananciais profundos
mas tu os sedimentaste,
cobriste-os de pó,
de pedra, e viraste deserto.
Quase secaste.
Eu queria tanto não ver esses filetes só,
correndo tênues do teu temppo,
quando há rios tão vastos em ti,
de origens eternas e incessantes.
Queria tanto ver palmeiras frondosas,
florescendo por todos os cantos,
verdes, vivas, lindas,
no lugar desses arbustos secos.
Eu te fiz uma terra tão fértil
e guardei tesouros em ti.
Dei-te minhas canções de vida,
revelei-te meus segredos,
eu te fiz meu prazer
e me propus caminhar contigo
e em ti.
Olha, eu queria te lembrar de novo
que parei um instante,
quando lançava o começo,
para fazer saber à criação inteira
o meu supremo canto à criação.
Tu não pudeste ouvir,
tu não eras ainda,
tu não pudeste ouvir o - 'Façamos...'
meu canto de parto,
meu canto sublime.
Ah! Quando poderás entender esse canto?
Eu te fiz uma fonte,
uma palmeira de sombra gostosa.
Eu te fiz amparo
para os perdidos e sedentos,
cansados dos desertos,
de suas existências vazias.
Mas tu te transformaste num cacto,
um cacto só,
que esconde a água fresca
e dá apenas suas gotas úmidas.
O fogo de misérias que assola o mundo,
queimou-te também.
Secou tuas palmeiras frondosas,
amarelou teus frutos.
Eu não te fiz deserto,
mas tu viraste deserto.
E mesmo assim,
eu tenho sementes guardadas em ti,
e vida farta,
que plantei em teus segredos mais fundos,
nos profundos fundamentos que te fiz.
O fogo de misérias que assola o mundo
secou as gotículas brilhantes
que eu pus em teus olhos,
mas não secou as fontes.
Por isso eu queria tanto
que tu deixasses eu descobrir de novo
os rios de vida que existem em ti.
Fazer brotar de novo
um sorriso sem fronteiras no teu rosto,
e a força imensa da alegria,
da alegria que vem de Mim mesmo,
de Mim, o teu Senhor.
Marcos Ribeiro da Silva
enviada por *Cami*
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